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24/08/2017 - Arte e Literatura por Simone de Almeida

  • 31 de ago. de 2017
  • 6 min de leitura

Em 24/08/2017, Simone de Almeida, nossa querida professora de Teoria Literária, nos trouxe o assunto Arte.

Ela começa por nos perguntar O que é arte? O que a "arte" representa para nós?

Para mim, argumentei que arte é a linguagem da beleza. Como veremos adiante, “arte lembra objetos consagrados pelo tempo, e que se destinam a provocar sentimentos vários, especialmente, o sentimento do Belo e do Sublime".

"A arte não é a realidade, ela nos ajuda a entender e viver a realidade". De acordo com Fernando Pessoa, "A arte é um sono ao qual você sai do seu mundo e entra em outro", é um sono que nos ajuda a sobreviver.

Seria a arte então qualquer forma de expressão? Sim, pois a arte é um estado de espírito muito individual. Mas ao mesmo tempo que é individual, ela é "fundamentalmente", "predominantemente" coletiva, por ser determinada, assimilada e consumida por uma cultura.

Dessarte, tido como exemplo, o Funk é arte (independente de gostarmos ou não), dentro de uma determinada cultura e contexto em que ele é produzido. Ele é determinado, por um coletivo que ao mesmo tempo que o produz, consome esta arte. Isto é, pois, a dinâmica de uma indústria cultural.

Devemos nos lembrar que o mais importante é o prazer estético, é a emoção qua a arte nos causa. Uma renda bem feita pelas artesãs nordestinas, é uma forma de

arte, um edifício com uma arquitetura bonita também. Estas formas, representações da arte, são por conseguinte, tão legítimas como a literatura, a música, a pintura, a escultura etc.

Após a introdução ao assunto, Simone passa a fazer a leitura e a explicação do texto Arte, como segue abaixo.

Arte

Uma das maneiras de simbolizar é a linguagem. A linguagem construída pelo homem oferece significado em comum às coisas entre determinados indivíduos e estabelece o processo de comunicação, permitindo que se entendam. A linguagem é variada, ou seja, pode ser escrita, falada, filmada, gesticulada etc. A Arte integra essas práticas humanas e é tida como Cultura.

E o que é Arte, então?

Só de mencionarmos a palavra “Arte", em qualquer situação de comunicação, o que vem a mente automaticamente são quadros, pinturas ou esculturas conhecidas universalmente.

De fato, a maioria das pessoas, principalmente aquelas detentoras de uma cultura média, associa a ideia de arte a esculturas ou a pinturas famosas de Da Vinci, Michelangelo, Monet, mesmo não se lembrando dos nomes das obras ou reconhecendo de quem são. Isto permitiu a Bosi (2000, p. 7) afirmar que a “arte lembra objetos consagrados pelo tempo, e que se destinam a provocar sentimentos vários", especialmente, o sentimento do Belo e do Sublime.

Desde a pré-história, a arte é uma atividade fundamental para o homem. Em todas as culturas, as diversas manifestações artísticas (dança, pintura, escultura, canto, desenho etc.) são um poderoso meio de expressão dos sentimentos, das crenças e dos valores humanos. Os objetos artísticos provocam estados psíquicos no receptor (prazer, tristeza, admiração, emoção etc.), o que nos permite crer que a arte é um modo especifico de os homens entrarem em relação com o universo e consigo mesmos, como afirma Bosi (2000), citando Luigi Pereyson, para quem o processo artístico compreende três momentos: o fazer, o conhecer e o exprimir.

A Arte é um fazer, uma construção, uma atividade que muda a forma, transformando a matéria encontrada na natureza e na cultura. O metal ouro, por exemplo, transforma-se em uma joia; a argila, em um vaso. Assim, qualquer atividade humana que tenha esse caráter transformador pode ser considerada artística.

Durante o Império Romano, por um critério socioeconômico, as operações artísticas foram classificadas em dois tipos: as artes liberales, ligadas a emoção, eram exercidas por homens livres, considerados artistas; e as artes serviles, que eram os ofícios realizados por pessoas humildes. Essa diferença conceitual entre os termos artista e artífice (do latim: artifex - o que faz arte), mantém-se ate nossos dias, estabelecendo uma oposição entre o trabalho intelectual e o manual. Dentro dessa perspectiva, Arte é produção, ou seja, um trabalho que arranca o ser do não ser, a forma do amorfo.

De um bloco de granito, “o não ser", obtém-se uma escultura, “o ser". O conceito de arte como construção vem dos antigos gregos que a chamavam de teckné, que significa “o modo exato de se fazer algo".

Na língua portuguesa, a palavra arte vem do latim ars, termo do qual também deriva o verbo articular (combinar), que significa fazer junturas entre as partes de um todo, fazer as partes se relacionarem entre si. Devido a esse caráter estruturante, eram consideradas artísticas não apenas as operações que tinham por objetivo comover a alma (música, poesia, teatro), mas também os ofícios de artesanato (cerâmica, tecelagem, ourivesaria etc.).

De fato, no exercício de criação dos trabalhos manuais (pintura ou escultura), o olho, a mão e o cérebro atuam simultaneamente, transformando a matéria. E nesse sentido que, conforme Bosi (2000), Platão, em "O Banquete", reafirma que criação (poiésis) é tudo aquilo que “passe do não ser ao ser”, além de afirmar que “todas as atividades que entram na esfera de todas as artes são criações; e os artesãos destas são criadores ou poetas (poietés). Para Platão, um musico tocando lira ou um politico manejando os cordéis do poder exercem arte" (BOSI, 2000, p. 14).

Desse modo, podemos afirmar que “arte é a produção de um ser novo que se acrescenta aos fenômenos da natureza" (BOSI, 2000, p. 14). Esse conceito percorreu a história da Arte, marcando a distinção entre o que é natural (dado por Deus) e o que é construído pelo homem. Devemos considerar ainda o postulado da inspiração, ideia pela qual, desde Platão, concebem-se o poeta e o músico como seres habitados por uma forca divina. Segundo Danziger e Johnson (1974), para Platão, a arte era a sabedoria mais profunda, uma vez que seria testamento ou profecia divinos, criados espontaneamente num estado de êxtase.

Por isso, músicos e poetas eram chamados de “entusiasmados", do latim enthousiasmós, que significa "aquele que recebeu um deus dentro de si". Contudo, vale lembrar que tais forças seriam responsáveis apenas pela escolha dos procedimentos de linguagem, não pela produção da expressão.

Platão considerava as artes cópias afastadas dos objetos feitos pelo homem, copias de uma cópia. O artista tem o poder magico de recriar a realidade de acordo com suas vivências, sonhos e ideais. Cada civilização, por meio de seus artistas, poetas e escritores, reflete sua cultura em manifestações artísticas, sendo a Literatura uma delas.

A literatura participa do desenvolvimento da cultura em que se integra e, por meio da utilização da língua dessa cultura, expressa suas dimensões culturais, logo, ha uma estreita relação entre cultura, língua e literatura.

Portanto, assim como se classifica a cultura em cultura ocidental, cultura europeia, cultura brasileira, pode-se falar em literatura ocidental, literatura europeia, literatura brasileira etc.

A Arte é produto humano e uma pratica social. O conceito de Arte é amplo e variado também. Mesmo assim, a essência do que seja é a maneira que o homem encontrou de ler e compreender o individuo, a sociedade e o mundo, e de transfigurá-los em padrões ficcionais para que, de alguma forma, atinja a todos e cause sensações de Belo e Sublime, ou seja, o prazer estético. Além disso, a Arte consegue transcender-se e ultrapassar as barreiras de tempo e de espaço e, como dizem os poetas, garante a eternidade. Segundo Collingwood, o artista deveria ser visto como um profeta: [...] não no sentido de prever coisas que virão, mas no sentido de que ela conta a sua audiência, sob o risco de seu desprazer, os segredos de seus próprios corações. A razão pela qual ela precisa dele é que nenhuma comunidade conhece o seu próprio coração; e por falhar em conhecê-lo, uma comunidade engana-se a si mesma sobre uma matéria em relação a qual ignorância significa morte... A arte é a medicina comunitária para a pior doença da mente, que é a corrupção da consciência (COLLINGWOOD, 1974, p. 336).

Observe a belíssima canção Sahariene, de Chico Cesar, que traduz exatamente essa ideia de que tudo falece, morre, se extingue, desde as coisas carnais, concretas, ate os sentimentos mais abstratos, menos a Arte: “o carneiro sacrificado morre/ o amor morre/ só a arte não".

Saharienne a morte assídua promiscua conspícua

Estive pensando em você e tão pouco asseada

uma foto junto a uma fonte saharienne saharienne saharienne

congelada pela câmara saravá sarah vaughan

égua de beber camará quem te escravisaurou

a roupa leve o que fez a beirute fez ao rio

lembrança de neve a teia de aranha midi

gelo seco no sertão me dá conforto e arrepio

saharienne saharienne saharienne o carneiro sacrificado morre

daqui de onde estou o amor morre

diante da televisão sem som sé a arte não

posso ouvir e ouro o alarido saharienne saharienne saharienne.

surdo dos curdos (CESAR, 2003).

sinto cheiro de came humana assada

Sintetizando o que vimos ate agora, dentro da Arte, a Literatura é uma das manifestações culturais humanas, ou seja:

a) - O homem produz cultura, ou melhor, diversas manifestações culturais (religião, esporte, costume, culinária, estilo de roupa, arte etc.);

​b) - Uma delas pode ser a Arte, pelas suas características especificas;

d) - A Literatura é uma das expressões culturais do homem.

c) - A Arte, por conseguinte, subdivide-se em vários setores artísticos, com também suas peculiaridades, como, por exemplo, a literatura, a escultura, a musica, a pintura e o teatro;

Depois desta breve síntese sobre os conceitos de Cultura e Arte, os quais estão

estritamente interligados a natureza de produção cultural humana, podemos concluir que a Literatura é um dos ramos de atividade artística que o homem criou dentro de sua prática cultural em sociedade ou grupo.

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